Blog da Prefa. Crônicas de Sábado, 18 Dezembro 2021: Presente de Natal
Para algumas pessoas, celebrar a vida é o melhor presente de Natal. Mas, para que isso se torne possível, algumas condições são indispensáveis. É necessário ter comida na mesa, estabilidade no emprego, uma casa para morar, uma família com quem dividir as alegrias e tristezas. É urgente poder respirar sem esforço, amar sem medida, usufruir das belezas da natureza. Ah, algum dinheiro para dar garantia também é importante.
Infelizmente, nem todos podem desfrutar desses privilégios. Estamos vivendo um tempo de muitas coisas estranhas. A modernidade está mais próxima do egoísmo do que da fraternidade. Todos querem tudo e ninguém se importa com ninguém.
Jesus nasceu em uma manjedoura e os primeiros sons que ouviu, além do próprio choro, foram o mugir das vacas, o balir das ovelhas, o zurrar dos muares. Ou seja, estava longe das riquezas terrenas. Em Belém, a liberdade não era um sonho – apesar das condições precárias e da ameaça promovida por Herodes, que ordenou a morte de todas as crianças com menos de dois anos.
No dia 6 de janeiro, os três reis magos, Belchior, Baltazar e Gaspar, guiados pela estrela do Oriente, ofereceram ao recém-nascido ouro, incenso e mirra (que representam, segundo diversos intérpretes bíblicos, a liderança, a espiritualidade e a imortalidade). Esse momento reflete algumas das questões básicas do cristianismo: a troca de afetos, o respeito pelo outro, a aceitação das diferenças e o acolhimento daqueles que estão em situação de vulnerabilidade. Por razões comerciais, o dia de Reis se confunde com o Natal.
As relações sociais mudaram com o passar do tempo. O mesmo se pode dizer em respeito à dignidade humana. Catadores de material reciclável, moradores de rua, trabalhadores sem-terra, órfãos, homens e mulheres excluídos do convívio familiar – há uma multidão de indivíduos que necessitam de ajuda e que possivelmente não terão o que comemorar no dia 25 de dezembro.
Essas pessoas não precisam de presentes, brinquedos ou chocolate. Precisam de acolhimento, de comida e de vacina contra o Covid-19. Precisam de proteção. Precisam estar em segurança para poder comemorar dia após dia o milagre da existência.
Há outros tipos de situações que também exigem posturas propositivas: a luta contra o racismo, contra a homofobia, contra as agressões domésticas, contra o massacre das populações originárias, contra o desmatamento ambiental, contra o arbítrio estatal. Quem celebra o nascimento de Cristo precisa estar no lado oposto de quem promove essas violências.
Enfrenta os problemas dos outros como se fossem os nossos nos aproxima do sagrado, do respeito e do amor. O poder multiplicador da caridade e da solidariedade não possui limites.
O melhor presente de Natal é poder celebrar – com alegria – a vida.
Texto: Raul Arruda Filho
Foto: Divulgação/Reprodução Internet
Arte: Carlos Alberto Arruda Junior
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